sábado, 17 de agosto de 2013

Seu Galdino simula doença para ficar com a Gertrudes do seu Leodoro

Por: José Mendes Pereira

Além das exageradas mentiras sobre onças, que o seu Galdino gostava de contar ao seu vizinho e compadre Leodoro, também usava de suas gabolices, que na juventude fora um rapaz perseguido pelas garotas, e todas aquelas que caíram na sua rede, não as deixou seladas. Não fora bonito, mas tinha molho e muito molho para esquentar os corações da moçarada.

Em noites de festas, na ACDP, e na Boate Snob, lá na primeira boate particular de Mossoró, do jornalista


Jornalista Tomislav Femenick

Tomislav Femenick, dizia seu Galdino que a mulherada não o deixava em paz, e era um verdadeiro tremendão, derrubando até os próprios cantores das bandas, cada um mais famoso do que o outro, mas todas as garotas estavam de olhos nele, para disputarem o seu coração.

Uma vez, frequentara um parque de diversão nas imediações do bairro Bom Jardim, e lá, devido a sua presença, algumas moças se desentenderam, causando brigas acirradas entre elas.

Outra vez, no Clube Barra Limpa, lá no Bom Jardim, ficou encurralado por uma porção de garotas, todas apaixonadas por ele, e algumas chegaram a desmaiar.

Todas as histórias que seu Galdino contava eram duvidosas, segundo alguns dos seus conhecidos, porque ele vivera a sua juventude no campo, cuidando de roças, tangendo animais, juntamente com tantos outros.

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Mas mesmo que tenha sido um camponês, em se tratando de rabo de saia, seu Galdino não dava chance, e até tinha um caso às escondidas com a Gertrudes, esposa do seu vizinho, amigo e compadre Leodoro.

Há dias que não mantinha relações sexuais com a Gertrudes, devido à presença constante do marido Leodoro, que nos últimos dias não arredara o pé da sua fazenda.

A Dionísia, sua esposa, havia viajado para visitar os familiares nas Areias Brancas, e seu Galdino ficara só, cuidando do gado, das ovelhas, da pocilga, carregando água para o rebanho, em fim, fazendo todas as obrigações sozinho.

Não tendo outro jeito de se livrar do seu Leodoro, isto é para usar e abusar da Gertrudes simulou uma doença, acamando-se em sua casa, no intuito de preocupá-lo, e com isto ele iria se dispor a ajudá-lo, talvez nas condições de ir comprar alguns medicamentos..., na cidade e seria uma das oportunidades para pegar a Gertrudes.

E lá na sua fazenda seu Galdino se acamou, alegando que parecia que tinha chegado a sua hora de embarque à outra vida além. E nesse dia ainda não tinha comido nada, apenas vez por outra tomava um golinho de café, para queimar um belo cigarro de fumo bravo.

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Seu Leodoro assim que tomou conhecimento que o seu compadre andava meio adoentado, abalou-se até a sua casa, para saber o que ele estava precisando naquele momento.

- Uma dor insuportável compadre Leodoro, pegando acima do peito e se manda até o dedão do pé. Não sei se escaparei desta, porque a idade que eu tenho, talvez não haverá mais recuperação.

- E o senhor quer que eu faça o quê, compadre Galdino? – perguntou-lhe seu Leodoro com uma aparência de preocupado.

- Compadre, se for possível – explicava seu Galdino, falando baixo e rasteiro -  eu quero que o senhor vá à Mossoró, procure um médico para consultá-lo sobre a minha doença, a qual o senhor já tem conhecimento. Na gaveta da mesa, lá eu tenho dinheiro, apanhe-o suficiente para a compra dos medicamentos. Se o senhor levar dinheiro franco, não será necessário voltar novamente à cidade por falta de dinheiro.

Seu Galdino estava lá como se estivesse muito doente, ali, mofinho, sem coragem para seguir o dia nos seus trabalhos. E permanecia todo enrolado numa coberta grossa e calorenta.

E sem se demorar mais, seu Leodoro seguiu rumo à cidade, açoutando seu animal de vez em quando. Era necessário. O compadre Galdino poderia passar por um vexame de saúde.

Mas seu Galdino não sentia nada, apenas arquitetara a doença, no intuído de ir até a casa da Gertrudes para se acariciarem, pois já fazia mais de mês que o seu gavião não pegara mais nada. E assim que seu Leodoro partiu, seu Galdino se levantou da cama e fez carreira em direção à casa da comadre.

Dona Chiquinha Duarte - a primeira motorista de Mossoró

- Galdino, o leiteiro da viúva dona Chiquinha Duarte, falava Gertrudes, disse bem cedo aqui  que você estava doente, e já está aqui?

- Gertrudes, eu não estava doente, e para consegui um bom momento com você, tive que arquitetar a doença, porque eu estava com saudades dos nossos aconchegos.

E aproximando-se dela, foi a acariciando lentamente, primeiro beijou-a, em seguida foi passando as mãos nas suas nádegas, e na sequência, saiu a levando em direção ao quarto do compadre Leodoro. Lá, o mundo tremeu por mais de duas horas.

Terminado o aconchego seu Galdino resolveu voltar para casa. Mas quando caminhava em direção à sua residência, viu um cavaleiro que vinha em disparada carreira. Era o seu Leodoro que já vinha de volta da cidade, trazendo consigo os medicamentos para seu Galdino, que mesmo sem a sua presença, o Dr. Duarte Filho fez receita para a compra destes.

Dr. Duarte Filho - Foi prefeito de Mossoró

Vendo que era seu Leodoro que já vinha de volta da cidade, seu Galdino atirou-se entre os pastos ralos em direção à sua casa. E antes que o socorrista chegasse, ele emburacou dentro de casa, deitando-se sobre a cama, e repetira as mesmas macacadas de antes. Todo enrolado e gemendo, como se estivesse sentindo enormes dores.

Ao chegar, seu Leodoro desenrolou os três medicamentos, e ali estava tudo anotadinho, quantas vezes por dia, horas certas para a medicação, muito repouso, e que maneirasse as comidas... 

O vaqueiro do fazendeiro Lili Duarte também já sabia que seu Galdino havia amanhecido doente, e como tinham muitas amizades, assim que seu Leodoro chegou com os medicamentos, este também colocou os pés no batente da casa, para visitar o seu vizinho.

Mais o mais interessante, foi que, quando seu Leodoro abriu um dos medicamentos para medicar o enfermo, este se recusou a ser medicado. E ficou seu Leodoro dizendo-lhe que ele não era mais criança, para recusar de engolir o que iria lhe deixar tratado. 

Não teve jeito. A recusa de não tomar o medicamento foi mantida por seu Galdino, pois ele sabia muito bem que não estava doente. Mas os dois, isto é seu Leodoro e o vaqueiro do fazendeiro Lili Duarte pegaram-no à força e obrigaram a tomar os remédios, primeiro um, depois outro e assim sucessivamente. Meio revoltado, seu Galdino levantou-se da cama e tentou violentar os seus amigos, principalmente o seu compadre Leodoro.

Quando o seu Leodoro foi comprar os medicamentos para seu Galdino, aproveitou a viagem e comprou na farmácia veterinária "sal amargo", para medicar uma das suas vacas que andava meio doente. O vaqueiro que estava presente, foi quem preparou o coquetel para seu Galdino, e no momento da preparação, por engano, misturou o "sal amargo" ao coquetel. 

À tarde, seu Galdino estava doente de verdade, porque os medicamentos e a mistura do "sal amargo" haviam provocado-lhe uma enorme dor de barriga.  

Merecido, seu Galdino! O senhor simulou a doença, só para ter a Gertrudes do seu compadre Leodoro em seus braços.

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Autor:
José Mendes Pereira

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